Instituto Butantan poderá aumentar produção de soros em até 75%

Novas instalações aumentarão a capacidade operacional do centro de pesquisas

O Instituto Butantan concluiu o processo de modernização e ampliação de sua fábrica de soros. Previsto para ser inaugurado em fevereiro de 2016, o edifício terá estrutura capaz de proporcionar o aumento da produção de soros em até 75%. A reforma englobou também a expansão da área de estoques e a construção de um novo prédio para receber o laboratório de artrópodes. O investimento foi de R$ 43 milhões.

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Aumento da produção

Atualmente o Butantan produz 450 mil ampolas/ano de 13 diferentes tipos de soros para tratar vítimas de acidentes com aranhas, serpentes, lagartas e escorpiões, além de doenças como raiva, difteria, tétano e botulismo. De acordo com Jorge Kalil, diretor do Instituto, a fabricação anual poderá ser ampliada para 750 mil ampolas. Embora a demanda interna seja de 800 mil ampolas/ano, Kalil afirma que a distribuição não ficará restrita apenas ao Brasil. “É possível que, por razões comerciais ou humanitárias, comecemos a produzir para outros países”.

Novos equipamentos

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A modernização do edifício contou com a aquisição de 28 novos equipamentos e a reforma de dois tanques de processamento de plasma, de 1.200 litros cada. Além disso, todo o sistema de tratamento de ar foi trocado. A nova estrutura permite classificar a limpeza e monitorar os níveis de temperatura, umidade e pressão nas diferentes divisões do prédio.

Outra área aprimorada na reforma foi o conjunto de câmaras de estoque. Elas receberam prateleiras com movimentação automática que permitem receber o dobro da quantidade de paletes com material farmacêutico.

Já o novo Laboratório de Artrópodes tem praticamente o dobro de espaço da instalação utilizada nos dias de hoje. Ele poderá ampliar a extração de venenos em 30% e receber uma quantidade duas vezes maior de animais peçonhentos. A estrutura atual abriga 15 mil aranhas e 5 mil escorpiões.

Automatização da produção

A produção de soros no Instituto Butantan funciona assim: o veneno é extraído do animal peçonhento para o preparo dos antígenos – elementos responsáveis por provocar uma reação do sistema imunológico ao entrar no organismo. Os antígenos são então inseridos em cavalos. Em seguida, os cientistas do instituto extraem amostras de sangue dos cavalos e separam uma parte delas, conhecida como plasma. O plasma é submetido a diversos processos físicos e químicos para purificar os anticorpos desenvolvidos. Depois disso, o soro é formulado e encaminhado para o envasamento.

Os equipamentos instalados no novo laboratório permitirão a automatização desse processo, sobretudo na etapa de separação de anticorpos do sangue dos cavalos que receberam o veneno.

Anvisa

A reforma do edifício foi executada a partir dos novos padrões de produção de medicamentos exigidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Para iniciar o processo de operação, as novas instalações do Instituto Butantan devem ser submetidas a uma análise do órgão.