Instituto Butantan pode ter soro para grávidas infectadas por zika

O Instituto Butantan pretende desenvolver um soro para ser usado em grávidas que contraíram zika. A informação foi revelada em entrevista ao portal G1 por Jorge Kalil, médico imunologista e diretor da entidade. De acordo com Kalil, o processo de criação do soro pode ser mais rápido que o da vacina. Porém, ainda não há previsão para o início dos estudos.

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Como funciona o soro

Soro e vacina têm funções diferentes. O soro fornece anticorpos para neutralizar as ações do vírus no organismo. Já a aplicação da vacina faz com que o próprio organismo produza anticorpos para combater o vírus.

Kalil explicou que os métodos para desenvolver o soro anti-zika devem ser similares às práticas aplicadas no soro contra raiva. “Primeiro é preciso cultivar o vírus em células e inativar esse vírus. Depois, ele é usado para imunizar um cavalo, como se estivesse fazendo uma vacina no animal, que passa a produzir anticorpos contra o vírus. Em seguida, pego o plasma do sangue do cavalo com os anticorpos, trago para a fábrica e purifico para selecionar só aqueles específicos contra o vírus.”

Desenvolvimento da vacina

Em paralelo, o Instituto Butantan vem trabalhando para desenvolver a vacina contra zika “em tempo recorde”, como deseja o Ministério da Saúde. A fase de estudos laboratoriais, já foi iniciada. O órgão busca parcerias com laboratórios estrangeiros para fabricar a vacina.

Casos confirmados

De acordo com o último boletim divulgado pelo Ministério da Saúde, o Brasil teve 404 casos confirmados de bebês com microcefalia ou alterações no sistema nervoso central. Ao todo, 17 tiveram relação comprovada com zika. O vírus é transmitido pelo Aedes aegypti, o mesmo mosquito transmissor da chikungunya e da dengue.

Microcefalia

A microcefalia ocorre quando a dimensão do crânio do bebê é inferior ou igual a 32 centímetros. O tamanho considerado padrão é de 33 a 37 centímetros.