Instituto Butantã aplica primeira dose de vacina anti-HIV em macacos

Na última terça-feira (5) o Instituto Butantan e a Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) aplicaram a primeira dose de uma vacina brasileira anti-HIV em macacos rhesus do macacário do Butantã. O estudo aplicado em quatro primatas adultos (de 2 a 7 anos) pretende encontrar uma medida segura e eficaz de imunizar o vírus HIV em seres humanos.

A primeira fase de testes será constituída pela injeção quinzenal de três doses com fragmentos de HIV, além de uma quarta aplicação programada para fevereiro contendo um vírus chamado adenovírus 5, que causa resfriado. A vacina será aplicada em 28 macacos do Instituto Butantã caso os testes sejam bem-sucedidos. As informações são de Edecio Cunha Neto, professor da FMUSP e pesquisador do Instituto do Coração (Incor), que é um dos coordenadores do estudo.

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Testes no Instituto Butantan em 2014

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Para o primeiro semestre de 2014, a expectativa é dividir os 28 macacos em quatro grupos e aplicar duas ou três doses com substâncias virais diferentes (adenovírus 68, que causa resfriados em chimpanzés; vírus da vacina da febre amarela, além de um derivado da vacina da varíola). A equipe descarta que os animais possam ser infectados por essas doenças ou pelo HIV, pois a vacina contém apenas pequenos pedaços do vírus e ele afeta macacos. Apenas o “primo” do HIV, o SIV (Vírus da Imunodeficiência Símia) pode infectar os primatas.

Os pesquisadores esperam que os fragmentos de HIV inseridos na vacina já sejam suficientes para o hospedeiro (macaco) combater uma eventual infecção. De acordo com Cunha Neto, será possível analisar a resposta imune da vacina um ano após a aplicação da primeira dose. O acompanhamento se estenderá por mais 12 meses para os cientistas verificarem o tempo que a imunidade se manterá. Segundo Jorge Kalil, diretor do Butantã e um dos responsáveis pela pesquisa, a fase pré-clinica de testes deve durar até 2016.

Testes Clínicos em Humanos

Os cientistas pretendem dar entrada nos protocolos para início dos ensaios clínicos em humanos tão logo obtenham os primeiros resultados dos testes nos 28 macacos. O trâmite prevê o envio dos documentos para Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e à Comissão Nacional de Ética e Pesquisa (Conep), órgão ligado ao Ministério da Saúde.